Por que as âncoras têm aquele formato?
Aparece em logos, bandeiras, tatuagens e até no símbolo da Bruno Broker. Mas o formato da âncora não é só símbolo: cada parte dele tem uma função para manter o barco no lugar. Por que ela tem braços, pontas e uma barra atravessada no topo?
Do peso ao gancho
As âncoras mais antigas eram grandes pedras, cestos de pedras, sacos de areia ou toras de madeira carregadas com chumbo. Seguravam o barco apenas pelo peso e pelo atrito com o fundo. Quando os navios cresceram, foi preciso algo mais eficaz. Surgiram então ganchos de madeira que se cravavam no fundo, depois substituídos por ferro, e foram acrescentadas as patas (flukes) para ajudá-los a penetrar. A âncora deixou de depender só do peso e passou a segurar o barco com uma ponta que se crava no fundo do mar.
Cada parte tem uma função
Argola (ou manilha): onde a corrente ou o cabo é preso.
Haste (shank): o eixo vertical da âncora.
Patas (flukes): cada pata tem uma face triangular e plana (a palma) com uma ponta afiada (o bico) que penetra no solo.
Cepo (stock): uma barra horizontal, em ângulo reto com os braços e as patas.
Por que existe aquela barra no topo
O cepo garante que os braços fiquem na vertical sobre o fundo. Com isso, uma das patas se enterra sozinha, oferecendo o máximo poder de fixação. Esse modelo, com duas patas e cepo, foi a âncora básica por muitos séculos.
Quando o formato mudou
Em 1821 foi patenteada na Inglaterra a âncora sem cepo. Suas patas pivotam levemente na haste e têm “ombros” salientes na base que se agarram ao fundo: quanto maior o arrasto, mais esses ombros empurram as patas para baixo. Ela se difundiu principalmente pela facilidade de manuseio e de guarda e hoje equipa a maior parte dos grandes navios.
Para iates e outros barcos pequenos, são comuns as âncoras leves, do tipo Danforth e do tipo arado (plow). Elas têm patas longas e afiadas que pivotam em torno de um cepo na base da haste e se enterram profundamente no fundo.
O que isso significa na prática
Por trás de cada detalhe do formato existe uma função: penetrar no fundo, posicionar a pata certa e manter o barco no lugar. Por isso, ao avaliar um seminovo, vale conferir todo o conjunto de fundeio, ou seja, âncora, corrente e guincho: o estado de cada peça e se ele é compatível com o porte do barco.
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